quarta-feira, 22 de maio de 2013

Relatório da ONU prevê recuo do IDH em 2050, caso haja cenário de "catástrofe ambiental"


Relatório do PNUD de 2013 reforça um alerta já realizado no relatório de 2011: igualdade e sustentabilidade caminham juntas e é necessário prestar atenção e realizar políticas públicas e ambientais que controlem a degradação do meio ambiente

Apesar de o progresso econômico ocasionar diversos benefícios para um país e sua população, às vezes esse desenvolvimento não se mostra recompensador, pois é atingido com uso de ferramentas agressivas ao meio ambiente, provocando, a longo prazo, estragos ambientais e, consequentemente, econômicos. Só em 2011, por exemplo, as catástrofes naturais que acompanharam os sismos (tsunamis, deslizamentos de terras e compactação dos solos) resultaram em mais de 20 mil mortes e em prejuízos que totalizaram US$ 365 milhões, incluindo a perda de habitação para cerca de um milhão de pessoas no mundo todo. O impacto foi maior para os pequenos Estados insulares em vias de desenvolvimento. Como ressalta o relatório do PNUD 2013, os países com parcos recursos serão os mais afetados por catástrofes ambientais. Por isso, a ONU aconselha os países pobres a não imitarem os padrões de produção e consumo dos países ricos, e os países ricos a reduzirem a sua pegada ecológica, pois, caso contrário, "o consumo per capita e a produção não serão sustentáveis”. Mas destaca que a questão ambiental é uma preocupação global e por esse motivo deve ser tratada por meio de acordos multilaterais.

Num cenário de “catástrofe ambiental” mais adverso, o valor do IDH global em 2050 ficaria 15% abaixo do cenário da base de referência - 22% abaixo na Ásia do Sul e 24% abaixo na África Subsariana, interrompendo, com isso, décadas de progresso em termos de desenvolvimento humano e de elevação do IDH em diversos países, de acordo com a ONU. Nesse mesmo cenário, caracterizado por uma redução dos meios de subsistência, como a agricultura e o acesso à água potável, três bilhões de pessoas viveriam em situação de extrema pobreza, das quais aproximadamente 155 milhões viveriam na América Latina e no Caribe.

Iniciativas

Uma iniciativa entre governos da região Ásia-Pacífico pretende proteger o Triângulo de Coral, o mais rico recife de coral do mundo, que se estende da Malásia e da Indonésia às Ilhas Salomão, e fornece alimento e sustento a mais de 100 milhões de pessoas. Na bacia do rio Congo, os países reúnem esforços contra o comércio ilegal de madeira, a fim de conservar a segunda maior floresta tropical do mundo. Uma parceria entre a China e o Reino Unido testará tecnologias avançadas de combustão de carvão, e os Estados Unidos e a Índia já firmaram uma parceria destinada a desenvolver energia nuclear neste último país. O Brasil, por sua vez, aumentou em 8% o investimento em tecnologias de energias renováveis. No que tange à iniciativa privada, 20 grandes multinacionais se comprometeram, através do Fórum sobre Bens de Consumo, a eliminar das suas cadeias de abastecimento os materiais provenientes de desflorestamento.

Apesar dessas iniciativas, o relatório observa que ainda há muito mais a se fazer (como atesta outro relatório da mesma organização, em que é revelada que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera ultrapassou a marca de 400 partes por milhão, limite tolerável), e quanto mais tempo demorar para que as medidas necessárias sejam tomadas, os custos serão maiores e mais difíceis de serem revertidos.
Para ter mais informações a respeito, confira o relatório em sua versão completa.

Retirado do site eCycle.